Domingo cortei a mão, levei pontos.
Segunda torci o pé, engessei.
Terça tirei o gesso, voltei a andar
Quarta comi danoninho vendo filme velho, me diverti.
Quinta ganhei Alta Fidelidade de Nick Hornby, me apaixonei.
Sexta reencontrei dois grandes amigos, fui feliz.
É incrível como pequenas coisas são capazes de superar pequenas "tragédias".

Entre acidentes e feridas, eu me salvei!
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13:25
Quarta-feira, Outubro 20, 2004
Entre linhas bucólicas
Pintei meu mundo de cor-de-rosa, colori tudo, até as mágoas, sim porque minha vida anda uma beleza, estou feliz, estou apaixonada pela vida, e mais ainda por mim. Estou com problemas no trabalho, mas quem não tem? Estou tendo constantes briguinhas familiares, mas quem não passa por fases ruins? Hoje sem dramas encaro meu dia sem nenhum pesar, chorumela, draminhas ou tempestades em xícaras de café. Ser feliz implica ser melhor, a mudança vem de dentro e eu estou tentando mesmo fazer a minha parte, sei muito bem que a vida é feita de escolhas e que sou responsável por todas as minhas escolhas, não me amarguro por isso, muito pelo contrário, lutei e sempre lutarei até o fim por tudo aquilo que acredito, continuo firme com mas com alguns momentos melancólicos, sou de carne e sentimentos, eu me permito isso.
A vida me ensinou que minha ansiedade me coloca em situações das quais eu me arrependo, minha ingenuidade me faz romper o limite entre a boa vontade e ser boboca e aí me sinto uma boba alegre rs como já dizia a minha querida avó.
Legião Urbana - Soul Parsifal
Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir
Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho hortelã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim
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22:06
Segunda-feira, Outubro 18, 2004
Entre uma voz e um retrato...
Sentei no chão do banheiro e comecei a leitura de On The Road, sim finalmente eu terminaria de lê-lo, 50 páginas sem cessar até que depois de encerrada mais uma história de pessoas que não existem comecei a pensar na minha vida, equiparando-a com a vida de Sal Paradise e Dean Moriarty e tudo que me veio à cabeça foi a angútia e desalento nos momentos de crise desses dois malucos que tinham medo de tudo e não tinham medo de nada.
Me sinto perdida no meio dessa estrada e enterrada em meus pensamentos no chão gelado do banheiro e é claro que havia de ser hoje, pois hoje é domingo e domigo é o dia de dar vida a todos os pensamentos melancólicos e depois sepultá-los numa segunda-feira corrida e sem tempo pra bobagenzinhas. Comecei a achar que gastei todos esses anos com futilidades, apegos desnecessários e que no fundo eu só quis dar longas risadas e dormir em camas com lençois limpos, futilidades do dia-a-dia.
Meu telefone tocou e a voz embargada no outro lado da linha carregava consigo um pedacinho (ainda pequenino) de mim, tomei pra mim sua tristeza e tentei fazê-lo sorrir, funcionou e assim ganhei minha noite, salvando meu domingo dessa falência total. Conversas no banheiro são deveras interessantes. Pouco falamos mas sabiamos bem o que queríamos dizer, quando duas pessoas rompem a barreira das palavras e a comunicação parece vir por telepatia é simplesmente fascinante, e foi assim que durante alguns minutos conversei com ele. Tão docemente encantador em todas as palavras que me oferecia, cada pedido para que eu permanecesse ao seu lado causou gotas de felicidade em minha face. Desligamos com a certeza que de ainda há muito o que acontecer.
Terminado meu banho segui para o quarto e fui fuxicar o computador, o meu passado ali online, puxei conversa, ele irônico, o tempo inteiro, fiz um elogio e mais ironia, agradeci a ele pelo tratamento que me deu, ele sem entender nada reclamou das minhas palavras sem nexo, o que ele não entendeu foi que enquanto ele me tratar assim o milagre estará sendo operado, eu estarei esquecendo de tudo que senti e ainda sinto (eu acho), nunca tive dúvidas do que sinto por ele, mas confesso que nesses últimos tempos tenho tido todas elas e o responsável por isso não é o dono da voz do telefonema do banheiro mas sim ele o meu passado, que dia após dia cerra seus olhos para tudo que vem de mim, fingindo que eu não mudei e acreditando que eu terei a paciência de Jó para esperar por ele nem que seja até o confim dos meus dias. Sinto decepcioná-lo mas isso não mais acontecerá.
O que mais me entristece é que toda vez que lhe direciono palavras de afeto ele me retribui com um hahahahaha. Não sei se espero demais da vida, mas sei que não me contento com o pouco, sigo em frente e busco O MAIS.
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01:34
Terça-feira, Outubro 12, 2004
É sol, é a chuva é a preguiça quem manda
É o dia que insiste em me invadir
É a noite que me abraça devorando meus suspiros
É o telefone que não toca
É secretária eletrônica vazia
É a balança, os quilos à mais
É o sorriso esfriando
É o grito contido
É o gemido sem sentido
É o amor que vem sem que se possa impedir
É o medo, o jeito, o reflexo
É o sonho no pesadelo e o pesadelo no sonho
É a falta de grana, de cama
É o excesso de drama
É o feriado
É o sol, é a chuva é a preguiça quem manda.
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posted by Mah at
19:31